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O que é outbound marketing e como fazer prospecção ativa com método

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Em resumo

Outbound marketing é a prospecção ativa: a empresa escolhe quem quer como cliente e vai até essas pessoas por telefone, e-mail, LinkedIn ou anúncio, em vez de esperar ser encontrada. Dá resultado mais rápido que o inbound e custa mais por cliente, por isso combina com vendas de ticket alto e com um perfil de cliente ideal bem definido.

Outbound marketing é a estratégia em que a empresa toma a iniciativa do contato. Ela define quem quer como cliente, monta uma lista e aborda essas pessoas por ligação, e-mail, mensagem no LinkedIn ou anúncio. No inbound marketing acontece o contrário: a empresa publica conteúdo e espera o interessado chegar.

Na origem, o termo cobria toda propaganda de interrupção: comercial de TV, spot de rádio, anúncio em revista, telemarketing. Hoje, quando alguém fala em outbound, quase sempre se refere à prospecção ativa em vendas entre empresas, feita com lista segmentada e apoio de CRM. É desse formato que este guia trata.

O outbound 2.0 e a receita previsível

A versão atual da prospecção ativa ficou conhecida pelo livro "Receita Previsível", de Aaron Ross e Marylou Tyler. Ross montou a equipe de prospecção da Salesforce no início dos anos 2000 e descreveu no livro o método que usou. A ideia central é separar funções. No modelo antigo, o mesmo vendedor procurava contatos, fazia a primeira abordagem, negociava e fechava. Como fechar é mais urgente e mais agradável que prospectar, a prospecção ficava sempre para depois, e o volume de novas oportunidades oscilava de um mês para o outro.

No modelo proposto, uma pessoa cuida só de abrir conversas e qualificar, e outra recebe as oportunidades prontas para negociar. A abordagem também mudou. A ligação fria para uma lista comprada deu lugar a mensagens curtas e personalizadas, enviadas a empresas escolhidas pelo perfil. O nome "outbound 2.0" vem daí.

Diferença entre outbound e inbound

OutboundInbound
Quem iniciaA empresaO interessado
Quem é alcançadoSó quem a empresa escolheuQuem estiver pesquisando o assunto
Tempo até o resultadoSemanasMeses
Custo principalEquipe de vendas e ferramentasProdução de conteúdo e SEO
Quando para o investimentoAs oportunidades param juntoO conteúdo publicado segue atraindo por um tempo

Anúncio pago fica no meio do caminho. Um anúncio no Instagram mostrado a quem nunca ouviu falar da marca é outbound, porque interrompe. A diferença em relação ao comercial de TV é a segmentação: dá para escolher região, idade, cargo e interesses. O remarketing, exibido a quem já visitou o site, usa a mesma mecânica com um público que já demonstrou interesse.

As duas estratégias costumam trabalhar juntas. O conteúdo do inbound aquece o mercado, e o vendedor que prospecta uma empresa cujo diretor já leu dois artigos seus encontra menos resistência. O material produzido para o blog também vira argumento nos e-mails de prospecção.

Quando o outbound vale a pena

A conta que decide é a relação entre o custo de aquisição e o valor do contrato. Prospecção ativa exige gente, e gente custa caro. Um exemplo: um pré-vendedor com custo total de R$ 6.000 por mês agenda 15 reuniões, das quais três viram contrato. Somando a parte do tempo do vendedor que fecha e as ferramentas, cada cliente sai por algo perto de R$ 3.000. Se o contrato médio é de R$ 30.000 por ano, a conta fecha com folga. Se a empresa vende uma assinatura de R$ 80 por mês, não fecha nunca.

Por isso o outbound é mais comum em vendas B2B de ticket médio ou alto: software, serviços especializados, indústria, consultoria. Ele também serve quando o mercado é pequeno e conhecido. Se existem 400 hospitais privados no seu estado e você vende para hospitais, faz mais sentido falar com os 400 do que esperar que eles pesquisem.

As vantagens são a rapidez, o controle sobre quem entra no funil e a facilidade de medir. As limitações são o custo por cliente, a dependência de execução diária e o risco de desgastar a marca com abordagem genérica ou insistente.

Como montar a operação

Defina o perfil de cliente ideal

O ICP descreve a empresa que mais se beneficia do que você vende e que compra com menos atrito: setor, porte, região, estrutura interna, cargo de quem decide. Ele sai da análise dos clientes atuais, olhando quais fecharam mais rápido, ficaram mais tempo e deram menos trabalho. Sem ICP, a lista de prospecção vira um catálogo de empresas quaisquer. Temos um artigo só sobre isso: perfil de cliente ideal.

Divida as funções

A separação proposta por Aaron Ross costuma aparecer em três papéis:

  • Inteligência comercial. Monta e limpa as listas: encontra as empresas que se encaixam no ICP e os contatos certos dentro delas.
  • Pré-vendas (SDR ou hunter). Faz a primeira abordagem, confirma se há problema, orçamento e interesse, e agenda a reunião.
  • Vendedor (closer). Conduz o diagnóstico, apresenta a proposta, negocia e fecha.

Em empresa pequena, uma pessoa pode acumular os dois primeiros papéis. O que não convém é o vendedor que fecha ser também o único responsável por prospectar.

Escreva uma cadência

Cadência é a sequência de tentativas de contato, com canal e intervalo definidos. Uma versão simples: e-mail no primeiro dia, ligação no terceiro, mensagem no LinkedIn no quinto, segundo e-mail no oitavo, nova ligação no décimo segundo e um e-mail de encerramento no décimo oitavo. Quem responde sai da sequência e segue para a conversa. Os detalhes de cada retorno estão em como fazer um follow-up de vendas eficiente.

Personalize a abordagem

Quem recebe a mensagem não conhece você e não tem motivo para confiar. Texto que serviria para qualquer destinatário é apagado em dois segundos. O primeiro e-mail deve ter poucas linhas e conter um motivo específico para aquele contato, o problema que você resolve para empresas parecidas e um pedido pequeno, como uma conversa de quinze minutos. Falar do produto fica para a reunião.

Registre tudo no CRM

Sem registro, não há como saber quantos contatos geram uma reunião nem em que passo da cadência as respostas aparecem. O CRM guarda o histórico, lembra o próximo passo e evita que dois vendedores abordem a mesma empresa. É a base para a automação dos envios e para medir o ROI da operação. Quando o funil ainda não está desenhado no sistema, vale começar pela estruturação de CRM.

Cuidados com dados e com a reputação

A LGPD vale para a prospecção. Use dados de contato profissional obtidos de fonte legítima, saiba explicar por que aquela pessoa está na sua lista e atenda de imediato a quem pedir para não ser mais procurado. Listas compradas de origem desconhecida trazem risco legal e, em geral, resultado ruim.

Existe também o risco técnico. Disparos em massa de um domínio novo, para endereços que não existem, levam os provedores a classificar a empresa como remetente de spam, e os e-mails comuns do dia a dia passam a não chegar. Volume baixo por remetente, lista conferida e texto personalizado protegem o domínio.

O que medir

Quatro números mostram onde a operação trava: contatos abordados, taxa de resposta, reuniões agendadas e contratos fechados. Resposta baixa aponta para a lista ou para a mensagem. Muita reunião e pouco contrato indicam qualificação frouxa na pré-venda. Vale treinar a equipe sobre esses dados, ouvindo ligações e relendo e-mails que funcionaram. Depois de dois ou três meses de registro, a empresa sabe quantas abordagens precisa fazer para chegar à meta de vendas, e a prospecção vira uma conta de planejamento.

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