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O que é Business Intelligence?

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Em resumo

Business Intelligence (BI) é o processo de reunir os dados que a empresa já produz, em sistemas como CRM, ERP, plataformas de anúncios e planilhas, organizá-los e apresentá-los em painéis que ajudam a decidir. No marketing, o BI responde a perguntas que nenhuma ferramenta responde sozinha, como quanto custou cada venda por campanha.

Business Intelligence, ou BI, é o trabalho de transformar os dados espalhados pela empresa em informação que orienta decisões. O nome engana um pouco, porque sugere um software. Trata-se de um processo: coletar os dados de onde eles nascem, juntá-los em um lugar só, conferir se estão corretos e mostrá-los de um jeito que o gestor entenda em um minuto.

Um exemplo deixa a utilidade clara. O Google Ads informa que a campanha A gerou 80 contatos a R$ 25 cada e a campanha B gerou 30 contatos a R$ 60. Olhando só para a plataforma, a decisão é cortar a B. O CRM, porém, registra que dos 80 contatos da campanha A dois compraram, e dos 30 da B, nove. O custo por venda foi de R$ 1.000 na primeira e de R$ 200 na segunda. Cada sistema, isolado, conta uma parte da história. O BI existe para juntar as duas.

Como funciona um projeto de BI

Business intelligence e aumento de performance

As etapas são sempre as mesmas, mude o porte da empresa ou a ferramenta.

  1. Pergunta. Tudo começa por uma decisão que precisa ser tomada: "em quais canais devo investir mais?", "quais vendedores convertem melhor os contatos?", "que produto dá mais margem?".
  2. Coleta. Identificar onde os dados estão. Em marketing, as fontes típicas são o GA4, as contas de anúncios, o CRM, o sistema de vendas ou ERP e, quase sempre, alguma planilha que só uma pessoa sabe atualizar.
  3. Integração e limpeza. Juntar as fontes em uma base única e resolver as inconsistências: o mesmo cliente cadastrado duas vezes, campanha com nome diferente em cada sistema, venda sem origem registrada. É a etapa que consome mais tempo e a que menos aparece.
  4. Modelagem. Definir como cada indicador é calculado. "Venda" é o pedido feito ou o pedido pago? O mês fecha pela data do contato ou pela data da compra? Sem essa definição escrita, cada área chega à reunião com um número diferente.
  5. Visualização. Montar o painel com os gráficos e tabelas que respondem à pergunta inicial.
  6. Decisão. Usar o painel em uma rotina, semanal ou mensal, e registrar o que foi decidido a partir dele.

O último item é o que separa BI de relatório bonito. Um painel que ninguém abre custou caro e não mudou nada.

Ferramentas de BI

As plataformas mais conhecidas são o Power BI, da Microsoft, o Looker Studio, do Google (antigo Data Studio), o Tableau e o Metabase, este de código aberto. Todas fazem a parte visível, os painéis. Por trás delas, projetos maiores usam um banco de dados central, como o BigQuery, que recebe as informações de todas as fontes.

A escolha depende menos dos recursos de cada uma e mais do ambiente que a empresa já usa e de quem vai manter os painéis. Para começar, o Looker Studio ligado ao GA4 e a uma planilha bem organizada resolve muita coisa sem custo de licença.

BI aplicado ao marketing

Marketing Digital e Business Intelligence: estratégias e consolidação para negócios

É no marketing que a falta de integração mais custa. As plataformas de anúncios medem até o clique ou o formulário, e a venda acontece dias depois, por WhatsApp ou telefone, registrada em outro sistema. Sem ligar as pontas, a empresa otimiza para o contato barato, que nem sempre é o que compra.

Com os dados integrados, passam a ter resposta perguntas como estas:

  • Qual é o custo por venda, e não só por contato, de cada campanha e de cada canal?
  • Quanto tempo um contato leva para virar cliente, e em que etapa do funil a maioria para?
  • Qual é o retorno sobre o investimento em mídia por linha de produto?
  • Clientes que vieram de qual origem compram de novo com mais frequência?

A condição técnica para isso é carregar a origem do contato até o fim. O formulário precisa gravar no CRM de qual campanha a pessoa veio, e o vendedor precisa marcar a venda no mesmo registro. Quando a agência e o cliente combinam isso desde o início, o painel sai em poucas semanas. Quando não combinam, o projeto de BI começa por arrumar o CRM. Os indicadores que valem acompanhar estão explicados no artigo sobre o que é KPI.

O BI também alimenta comparações com o mercado. Saber o próprio custo por contato é o que dá sentido a um benchmarking, já que não se compara o que não se mede.

Erros que fazem o projeto fracassar

O mais frequente é começar pela ferramenta. A empresa contrata a licença, conecta tudo o que consegue e monta um painel com quarenta gráficos. Ninguém sabe qual deles olhar, e em dois meses o painel é abandonado.

O segundo é confiar em dado sujo. Se metade das vendas está no CRM sem origem preenchida, o gráfico de "vendas por canal" mostra uma barra enorme chamada "desconhecido", e as outras barras enganam. Antes de analisar, é preciso garantir o preenchimento.

Há ainda o painel sem dono. Fontes mudam, campanhas são renomeadas, integrações quebram. Alguém precisa ser responsável por conferir, todo mês, se os números do painel batem com os dos sistemas de origem.

Como começar pequeno

Escolha uma única pergunta que hoje é respondida no achismo. A mais comum entre as empresas que atendemos é "de onde vêm os clientes que realmente compram?". Liste os dados necessários para respondê-la e veja onde cada um está. Monte a primeira versão em uma planilha, na mão, por dois ou três meses. Esse exercício mostra quais dados faltam e quais definições precisam ser combinadas, e aí sim compensa automatizar a coleta e construir o painel.

É o caminho que seguimos nos projetos de inteligência de dados: primeiro a pergunta e a qualidade do registro, depois a tecnologia. A ordem inversa produz painéis sofisticados sobre números em que ninguém confia.

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