O que são os 8 Ps do Marketing Digital?
O que significa cada um dos 8 Ps do Marketing Digital, de onde o método veio, como ele se relaciona com os 4 Ps e como aplicar na sua empresa.
Para mapear o caminho de compra, descreva quem é o cliente, liste as quatro etapas pelas quais ele passa (descoberta, reconhecimento do problema, consideração da solução e decisão), produza um conteúdo para cada uma e ligue essas peças com um fluxo de e-mails, anúncios e atendimento. O mapa mostra em que ponto as pessoas desistem e o que falta dizer a elas.
Mapear o caminho de compra do cliente é escrever, etapa por etapa, o que ele pensa, o que pesquisa e o que precisa ouvir entre o momento em que percebe um incômodo e o dia em que fecha negócio. O mercado chama esse percurso de buyer's journey. Na prática, o mapa cabe em uma planilha de quatro linhas e se monta em quatro passos: definir a persona, descrever as etapas, produzir conteúdo para cada uma e conectar tudo em um fluxo.
Para que serve? Para parar de dizer a mesma coisa a pessoas em momentos diferentes. Quem acabou de notar que a conta de luz subiu ainda não quer receber orçamento de painel solar. Quem já comparou três fornecedores não precisa de um artigo explicando o que é energia fotovoltaica.
A persona é um retrato do cliente típico, montado com dados reais: quem é, qual problema tem, o que o faz hesitar e onde busca informação. Sem ela, as etapas ficam genéricas e servem para qualquer empresa, ou seja, para nenhuma.
A fonte mais confiável são os clientes que você já tem. Converse com cinco ou seis deles e pergunte o que estava acontecendo quando começaram a procurar uma solução, o que pesquisaram, com quem compararam e o que quase os fez desistir. O time de vendas e o atendimento sabem de cor as objeções mais frequentes. O passo a passo completo está em dicas de como criar uma persona.
O modelo mais usado divide o percurso em quatro momentos. Vamos acompanhar um exemplo: uma empresa que instala energia solar em residências.
| Etapa | O que passa pela cabeça do cliente | O que ele pesquisa |
|---|---|---|
| Aprendizado e descoberta | Sente um incômodo e ainda não deu nome a ele. "Minha conta de luz está cada vez mais alta." | "por que a conta de luz aumentou" |
| Reconhecimento do problema | Entende que tem um problema e que ele tem solução. "Preciso reduzir meu gasto com energia." | "como economizar energia em casa" |
| Consideração da solução | Avalia os caminhos possíveis e compara. "Energia solar compensa no meu caso?" | "energia solar vale a pena", "quanto custa instalar" |
| Decisão de compra | Já escolheu a solução e decide de quem comprar. | "empresa de energia solar em Ribeirão Preto", nome dos fornecedores, avaliações |
Preencha a mesma tabela para o seu negócio com as frases que ouviu nas entrevistas. Acrescente uma coluna com a dúvida ou o medo que trava a passagem para a etapa seguinte. No exemplo, entre a consideração e a decisão, o medo costuma ser "e se o investimento não se pagar?".
Nem toda venda passa pelas quatro fases com a mesma duração. Quem compra uma pizza resolve tudo em dez minutos. Quem contrata um software de gestão leva meses e envolve mais gente na decisão. Quanto mais caro e mais arriscado o produto, mais tempo o cliente fica nas duas etapas do meio, e mais conteúdo elas pedem.
Com o mapa pronto, cada linha vira uma pauta:
O erro mais comum que encontramos é o conteúdo concentrado nas pontas. A empresa tem um blog cheio de artigos introdutórios e uma página de "peça um orçamento", sem nada no meio. O visitante lê, aprende e vai tirar as dúvidas de comparação no site do concorrente. Temos artigos específicos sobre conteúdos para o topo do funil e sobre conteúdos para o fundo do funil.
Conteúdo solto não conduz ninguém. O fluxo é o que leva a pessoa de uma peça para a próxima, e ele se constrói com três recursos.
O primeiro são as chamadas dentro do próprio conteúdo: o artigo de descoberta termina oferecendo a calculadora, e a calculadora pede o e-mail para enviar o resultado. O segundo é a sequência de e-mails ou mensagens que parte desse cadastro e entrega o material das etapas seguintes ao longo de alguns dias. O terceiro são os anúncios de remarketing, que mostram o caso de um cliente a quem visitou a página de preços e saiu sem pedir proposta.
Para isso funcionar, a empresa precisa saber em que etapa cada contato está. É o papel do CRM: registrar de onde a pessoa veio, o que baixou, se abriu a proposta, e avisar o vendedor na hora certa. Sem esse registro, o comercial liga cedo demais para quem ainda está pesquisando e esquece quem estava pronto. Nos projetos de estruturação de CRM que fazemos, desenhar essas etapas vem antes de configurar qualquer ferramenta.
Depois de um ou dois meses com o fluxo no ar, conte quantos contatos passam de cada etapa para a seguinte. Se 500 pessoas leem os artigos, 40 usam a calculadora e só 2 pedem proposta, o gargalo está na consideração, e é ali que falta conteúdo ou sobra atrito. Revise o mapa a cada trimestre com o time de vendas: as dúvidas dos clientes mudam, os concorrentes mudam, e uma planilha que ninguém atualiza volta a descrever um cliente que não existe.
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