O que são os 8 Ps do Marketing Digital?
O que significa cada um dos 8 Ps do Marketing Digital, de onde o método veio, como ele se relaciona com os 4 Ps e como aplicar na sua empresa.
Para manter a confiança do usuário, o marketing digital precisa coletar só os dados necessários, dizer com clareza para que eles serão usados, protegê-los e permitir que a pessoa saia da base quando quiser. Desde 2020, com a LGPD em vigor, essas práticas são obrigação legal no Brasil, com fiscalização da ANPD e possibilidade de multa.
O usuário confia em uma empresa quando entende o que ela vai fazer com os dados dele e vê que ela cumpre o combinado. No marketing digital, isso se traduz em quatro práticas: pedir só o que for usar, explicar a finalidade no momento da coleta, guardar a base com segurança e deixar a porta de saída aberta.
Quando este artigo foi publicado, em 2019, a Lei Geral de Proteção de Dados ainda era uma promessa. Ela entrou em vigor em setembro de 2020, e as sanções passaram a ser aplicáveis em agosto de 2021. O que era boa prática virou obrigação.
A Lei nº 13.709/2018 vale para qualquer empresa que trate dados pessoais de pessoas no Brasil, do e-commerce com milhares de clientes à clínica com uma planilha de pacientes. Nome, e-mail, telefone, CPF e também identificadores como cookies e endereço IP entram na definição quando permitem chegar a uma pessoa.
Os pontos que mais afetam a rotina do marketing:
As sanções vão de advertência a multa de até 2% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões por infração, além da possibilidade de ter o banco de dados bloqueado. Para o impacto em cada canal, veja LGPD e seus impactos no marketing digital.
O formulário é onde a troca acontece: a pessoa entrega dados e recebe um material, um orçamento, uma demonstração. Cada campo é um custo para ela, e um formulário que pede CPF para baixar uma planilha levanta suspeita com razão.
Algumas regras práticas:
Uma forma de pedir menos sem saber menos é o perfil progressivo. Na primeira conversão, o formulário pede nome e e-mail. Na segunda, o sistema reconhece o visitante e pergunta cargo e empresa. Na terceira, o tamanho da equipe. Cada formulário fica curto, o que ajuda principalmente no celular, e o cadastro se completa aos poucos, conforme a pessoa demonstra interesse. A finalidade informada precisa cobrir esses dados adicionais.
O aviso de cookies virou parte da paisagem, e muitos sites o tratam como enfeite: mostram a barra e carregam os scripts de rastreamento de qualquer jeito. O correto é que cookies de publicidade e de análise só sejam ativados depois que o visitante aceita, e que recusar seja tão fácil quanto aceitar.
Isso reduz o volume de dados que chega ao GA4 e às plataformas de anúncio. É o preço de medir dentro da regra, e essas ferramentas já oferecem modos de consentimento que ajustam a coleta conforme a escolha do visitante. Do lado do navegador, o bloqueio de cookies de terceiros avançou bastante, o que valoriza os dados que a própria empresa coleta com autorização.
Criar mais uma senha é um dos motivos que fazem alguém desistir de um cadastro. Senha fraca e repetida em vários sites é também uma das portas de entrada mais comuns para invasões. Há três saídas para lojas virtuais, áreas de cliente e aplicativos.
O login social permite entrar com a conta do Google, da Apple ou de outra plataforma. O usuário não cria senha nova, e o site recebe dados básicos já validados. Peça só as permissões necessárias: um pedido de acesso à lista de contatos para um simples cadastro afasta a pessoa.
As chaves de acesso, ou passkeys, são a evolução do padrão WebAuthn. A pessoa confirma a identidade com a biometria ou o PIN do próprio aparelho, e nenhuma senha trafega ou fica guardada no servidor. Apple, Google e Microsoft já oferecem suporte ao recurso, e grandes serviços vêm adotando.
Onde a senha continuar existindo, ofereça verificação em duas etapas.
Coletar direito é metade do trabalho. O restante é cuidar do que foi coletado:
Planilhas soltas e acessos compartilhados são o ponto fraco mais frequente em empresas pequenas e médias. Centralizar os contatos em um CRM com permissões por usuário resolve boa parte do risco, e é um dos motivos para investir em estruturação de CRM.
Comprar lista de e-mails ou de telefones. Além de não haver base legal para falar com essas pessoas, os provedores de e-mail tratam como spam o remetente que dispara para quem não o conhece, e a reputação do domínio cai para todos os envios, inclusive os legítimos.
Dificultar o descadastro. Todo e-mail de marketing precisa de um link de saída que funcione com um clique. Quem não consegue sair marca a mensagem como spam, o que é pior para a empresa.
Esconder um incidente. Se houve vazamento, a comunicação rápida e franca preserva mais confiança que o silêncio descoberto depois.
Um bom primeiro passo é um inventário simples: liste todos os formulários do site, que dados cada um pede, para onde eles vão e quem tem acesso. Em geral esse levantamento já mostra dois ou três campos que podem ser eliminados e pelo menos uma planilha que não deveria existir. Para adequar contratos, política de privacidade e bases legais, envolva um advogado ou consultor especializado em proteção de dados.
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