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O que é ZMOT, o momento zero da verdade

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Em resumo

ZMOT (Zero Moment of Truth, ou momento zero da verdade) é a etapa em que o consumidor pesquisa por conta própria antes de comprar: busca no Google, lê avaliações, assiste a vídeos, compara preços. O conceito foi apresentado pelo Google em 2011 e mostra que boa parte da decisão acontece antes do contato com a loja ou com o vendedor. Para a empresa, significa estar presente e ter boas respostas nos lugares onde essa pesquisa é feita.

ZMOT é a sigla de Zero Moment of Truth, o momento zero da verdade. É o nome que o Google deu, em 2011, ao intervalo entre a pessoa sentir vontade de comprar algo e chegar à loja ou falar com um vendedor. Nesse intervalo, ela pesquisa. Digita a dúvida no buscador, lê avaliações, vê um vídeo de alguém usando o produto, compara preços, pergunta em um grupo. Quando finalmente entra em contato com a empresa, a decisão já está meio tomada.

A consequência prática é que a venda pode ser ganha ou perdida em um momento que a empresa não presencia.

De onde vem a ideia de "momento da verdade"

O termo nasceu na Procter & Gamble. Em 2005, uma reportagem do Wall Street Journal mostrou como a empresa tratava os poucos segundos em que o consumidor, diante da prateleira, escolhe entre uma marca e outra. A P&G chamou esse instante de primeiro momento da verdade (FMOT, de First Moment of Truth). O segundo momento da verdade (SMOT) vem depois, em casa, quando a pessoa usa o produto e descobre se ele cumpre o que prometeu.

O modelo tinha três passos:

Estímulo → primeiro momento da verdade (prateleira) → segundo momento da verdade (experiência)

O estímulo era o anúncio na TV, o outdoor, a indicação de um conhecido. Entre ele e a prateleira, supunha-se que não acontecia nada de relevante.

O que o Google acrescentou

O que é Zero Moment of Truth (ZMOT)? 

Em 2011, o Google publicou o livro digital ZMOT: Conquistando o Momento Zero da Verdade, de Jim Lecinski, apoiado em uma pesquisa encomendada à Shopper Sciences com 5.000 compradores nos Estados Unidos. O estudo perguntou que fontes de informação cada pessoa tinha consultado antes de uma compra recente, de mantimentos a automóveis e serviços financeiros.

Dois resultados ficaram conhecidos. Segundo o estudo, 84% dos compradores disseram que o que encontraram nessa pesquisa prévia influenciou a decisão. E o número médio de fontes consultadas antes da compra quase dobrou em um ano, de 5,3 em 2010 para 10,4 em 2011. São dados americanos e de mais de uma década atrás, então servem como registro do momento em que o comportamento foi medido, e não como retrato do consumidor brasileiro de hoje.

O modelo ganhou um quarto passo:

Estímulo → ZMOT → primeiro momento da verdade → segundo momento da verdade

Há um detalhe que o desenho em linha esconde. O segundo momento da verdade de um cliente vira o momento zero de outro: a avaliação que alguém publica depois de usar o produto é o que o próximo comprador vai ler antes de decidir.

Um exemplo

Luciana viu no intervalo da novela o anúncio de um SUV compacto. No modelo antigo, o passo seguinte seria a visita à concessionária. O que ela faz de fato é pegar o celular. Procura o consumo do carro na cidade, assiste a duas avaliações em vídeo, lê em um fórum as reclamações de quem já tem o modelo, compara com dois concorrentes da mesma faixa de preço e simula a parcela no site de um banco.

Quando chega à concessionária, uma semana depois, sabe a versão que quer e quanto pretende pagar. Ao vendedor resta confirmar, ou desmentir, o que ela já leu. Se a concessionária da cidade tivesse avaliações ruins no Google, é provável que Luciana nem tivesse ido àquela loja.

O que mudou desde 2011

O conceito continua correto, mas os lugares onde a pesquisa acontece se multiplicaram. Em 2011, momento zero era praticamente sinônimo de busca no Google em um computador. Hoje, parte da pesquisa é feita em vídeo curto no TikTok e no Instagram, dentro de marketplaces, em grupos de WhatsApp e em assistentes de inteligência artificial, que respondem à pergunta sem que a pessoa visite site algum.

O próprio Google atualizou a ideia duas vezes. Em 2015, passou a falar em micro-momentos, as várias consultas rápidas feitas no celular ao longo do dia ("quero saber", "quero ir", "quero fazer", "quero comprar"). Em 2020, publicou o estudo sobre o que chamou de messy middle, o "meio confuso": entre o estímulo e a compra, a pessoa alterna entre explorar opções e avaliar as que encontrou, indo e voltando, sem seguir uma linha reta.

Para o cliente local, o momento zero costuma ser o mapa. Quem procura "dentista perto de mim" decide olhando nota, fotos e comentários, muitas vezes sem abrir o site de ninguém.

Como aparecer no momento zero do seu cliente

O trabalho começa por uma lista. Anote o que um cliente pesquisaria antes de comprar de você, que sites e aplicativos usaria, e faça essas buscas você mesmo. O que aparece? Onde a sua empresa está, e o que dizem dela? Com esse levantamento, as frentes abaixo ganham prioridade.

Responder às perguntas que vêm antes da compra

A maior parte das buscas do momento zero é dúvida: quanto custa, qual a diferença entre A e B, vale a pena, quanto tempo dura. Quem atende clientes ouve essas perguntas todo dia, e a equipe de vendas é a melhor fonte de pauta. Cada uma pode virar uma página ou um artigo que responde de forma direta, com preço ou faixa de preço quando possível. O guia de SEO explica como fazer essas páginas serem encontradas, e os artigos sobre conteúdo de topo, meio e fundo de funil ajudam a distribuir os temas.

Cuidar das avaliações

Avaliação de outro cliente pesa mais que qualquer texto da própria empresa. Mantenha o Perfil da Empresa no Google completo, peça a avaliação logo depois de uma entrega bem-sucedida e responda a todas, inclusive às negativas. Uma crítica respondida com educação e solução costuma tranquilizar quem está pesquisando. Nota máxima com cinco comentários genéricos, por outro lado, desperta desconfiança.

Facilitar a comparação

O cliente vai comparar você com o concorrente de qualquer jeito. Se o seu site tem uma tabela honesta com planos, o que cada um inclui e para quem serve, a comparação acontece na sua página. Se não tem, acontece no site de outro.

Ser claro sobre preço e condições

Perto da decisão, a pesquisa vira busca por preço, frete, prazo e cupom. Esconder essas informações atrás de um formulário faz sentido em serviços sob medida. Em produto de prateleira, só manda o comprador para quem mostra.

Anunciar onde a pesquisa acontece

Anúncios de pesquisa no Google aparecem exatamente quando a pessoa digita a dúvida ou o nome do produto, e campanhas de remarketing alcançam quem visitou o site e saiu para continuar comparando. É a parte do tráfego pago que mais se aproxima do momento zero, e funciona melhor quando a página de destino responde à mesma pergunta do anúncio.

O que não dá para terceirizar

Nenhuma dessas frentes compensa um segundo momento da verdade ruim. Se o produto decepciona, o atendimento demora ou a entrega atrasa, isso vai parar nas avaliações e passa a ser o momento zero de quem vier depois. Refazer as buscas da lista a cada três meses, anotando o que mudou, é a forma mais barata de acompanhar o que o seu próximo cliente está lendo sobre você.

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