Como construir um modelo de briefing de marketing digital
Os campos que um briefing precisa ter, um exemplo preenchido e os erros que fazem o documento virar burocracia em vez de evitar retrabalho.
O Customer Success se organiza em três etapas: onboarding, quando o cliente começa a usar o produto e precisa chegar rápido ao primeiro resultado; ongoing, o acompanhamento contínuo que sustenta o uso, a renovação e a venda de upgrades; e suporte, o atendimento às dúvidas e aos problemas. Em todas, o objetivo é o mesmo: evitar o cancelamento.
O trabalho de Customer Success (CS) começa quando o contrato é assinado e passa por três etapas: onboarding, ongoing e suporte. As duas primeiras acontecem em sequência. A terceira corre em paralelo desde o primeiro dia. O que as une é a tarefa de fazer o cliente alcançar o resultado que ele esperava ao comprar, porque cliente que alcança esse resultado renova, e o que fica pelo caminho cancela. Em serviço recorrente, o cancelamento tem nome próprio: churn.
Cada cliente define sucesso de um jeito. Para uma loja que contrata uma plataforma de e-mail, sucesso pode ser vender para a base toda semana; para outra, só deixar de usar planilha. Por isso a primeira providência, antes das etapas, é perguntar ao cliente o que ele espera e anotar a resposta.
Onboarding é o período de implantação, do contrato até o cliente usar o produto sozinho e ver o primeiro resultado. É a etapa mais arriscada. Quem contratou está animado e, ao mesmo tempo, ocupado com o resto do trabalho. Se a configuração inicial demora ou parece difícil, o produto vai para a gaveta e o cancelamento vem meses depois, na hora de renovar.
Pense em um sistema de gestão vendido a um escritório de contabilidade. Enquanto os clientes do escritório não estiverem cadastrados e a primeira rotina não rodar ali dentro, o sistema não entregou nada. O onboarding existe para encurtar esse intervalo.
O que costuma compor a etapa:
Nessa fase o profissional de CS toma a iniciativa. Ele acompanha o que o cliente já configurou e liga quando percebe que o processo parou, em vez de esperar o pedido de ajuda.
Terminada a implantação, começa a etapa mais longa. No ongoing, o cliente já usa o produto e o trabalho é manter esse uso, ampliar o que ele aproveita e preparar a renovação. É também onde aparecem as oportunidades de vender um plano maior ou um serviço complementar, e onde nascem as indicações.
A rotina tem contatos programados. Clientes de contrato alto recebem reuniões periódicas de resultado, em que o CS mostra o que foi alcançado desde a última conversa e combina os próximos objetivos. Para a base de contrato menor, o acompanhamento é feito em escala, com e-mails acionados pelo comportamento: um aviso quando o uso cai, uma dica quando o cliente ainda não testou um recurso importante.
É a etapa das medições. A mais conhecida é o NPS (Net Promoter Score), a pesquisa que pergunta, em uma escala de 0 a 10, qual a chance de o cliente recomendar a empresa. Quem responde 9 ou 10 é considerado promotor, e quem dá nota até 6, detrator. O NPS mostra a opinião do cliente. Para acompanhar o comportamento dele, o indicador é o Health Score, que combina frequência de uso, chamados e pagamento em uma nota só.
Suporte é o atendimento reativo. O cliente tem uma dúvida ou um problema e procura a empresa por chat, e-mail, telefone ou WhatsApp. A diferença para as outras etapas está em quem começa a conversa.
O que se espera de um bom suporte é simples de dizer e trabalhoso de manter: prazo de resposta combinado e cumprido, registro de cada chamado, uma base de respostas que o próprio cliente consegue consultar, e alguém que acompanha o caso até o fim. Chamado que passa por três pessoas e exige explicar tudo de novo a cada uma transforma uma dúvida simples em motivo de cancelamento.
Os chamados também servem de termômetro. Cliente que abre muitos em pouco tempo está com dificuldade e merece uma ligação do CS. E o cliente que nunca chama pode simplesmente ter parado de usar o produto. Por isso as áreas precisam enxergar os mesmos dados.
As três etapas dependem de um histórico único por cliente. Quando a implantação fica em uma planilha, os chamados em outra ferramenta e as reuniões na cabeça do gerente de contas, ninguém consegue ver que um cliente está esfriando. O mínimo a manter no CRM:
Com isso organizado, dá para montar a lista que interessa: clientes com renovação nos próximos 60 dias, sem contato há mais de um mês e com uso em queda. É por ela que a semana do CS deveria começar. A estruturação do CRM para o pós-venda segue a mesma lógica do funil comercial, com etapas, responsáveis e próxima tarefa sempre definida.
Churn quase nunca é surpresa para quem olha os dados. Os avisos mais comuns são a queda na frequência de acesso, a saída da pessoa que defendia o produto dentro do cliente, o atraso de pagamento, uma sequência de chamados sem solução e o silêncio diante dos contatos do CS. Um sinal isolado pede atenção. Dois ou três juntos pedem uma ligação no mesmo dia, de preferência de alguém com autonomia para resolver o que estiver travando.
Quando o cancelamento acontece mesmo assim, registre o motivo com as palavras do cliente. Depois de dez ou vinte registros, o padrão aparece, e muitas vezes ele aponta para antes do CS: promessa exagerada na venda ou cliente fora do perfil. Nesse caso, a correção é no processo comercial.
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