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O que é SPIN Selling e como usar o método para melhorar as vendas

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Em resumo

SPIN Selling é um método de vendas criado por Neil Rackham em que o vendedor conduz a conversa com quatro tipos de pergunta, nesta ordem: Situação, Problema, Implicação e Necessidade de solução. A ideia é que o próprio cliente descreva o problema e o quanto ele custa antes de ouvir a proposta. Funciona melhor em vendas de valor alto e ciclo longo.

SPIN Selling é um método de vendas baseado em perguntas. O vendedor, em vez de abrir a reunião apresentando o produto, conduz a conversa por quatro tipos de pergunta, nesta ordem: Situação, Problema, Implicação e Necessidade de solução. As iniciais formam a sigla. Quando a sequência é bem feita, o cliente descreve com as próprias palavras o problema que tem e quanto ele custa, e a proposta chega como resposta a algo que ele mesmo disse.

O método é de vendas, e não de marketing. Foi formalizado pelo pesquisador britânico Neil Rackham no livro SPIN Selling, de 1988, depois de anos observando reuniões comerciais. Rackham notou que as técnicas de fechamento, que funcionavam em vendas pequenas, atrapalhavam nas grandes. Nas negociações de valor alto, os vendedores com melhores resultados falavam menos e perguntavam mais, e as perguntas seguiam um padrão.

SPIN Selling: o que é?

As quatro etapas, com exemplos

Para ilustrar, vamos usar um caso só do início ao fim: uma empresa que vende software de gestão para escritórios de advocacia e está em reunião com a sócia de um escritório de doze pessoas.

S, de Situação

São perguntas para entender como o cliente trabalha hoje. Servem de base para o resto da conversa.

  • Como vocês controlam os prazos dos processos atualmente?
  • Quantas pessoas alimentam esse controle?
  • O sistema atual conversa com o financeiro?

A recomendação é fazer poucas. Tudo o que dá para descobrir antes da reunião, no site do cliente, no LinkedIn ou no histórico do CRM, deve ser pesquisado antes. Perguntar ao cliente o que estava a um clique de distância gasta o tempo dele e passa a impressão de despreparo.

P, de Problema

Aqui o vendedor procura as dificuldades e insatisfações com a situação descrita. Muitas vezes o cliente convive com o incômodo há tanto tempo que deixou de enxergá-lo como problema.

  • Já aconteceu de um prazo ser percebido em cima da hora?
  • Quanto tempo a equipe leva para montar o relatório mensal de um cliente?
  • O que mais gera retrabalho no controle de hoje?

I, de Implicação

É a etapa que separa o SPIN de um questionário comum. As perguntas de implicação exploram as consequências do problema: o que ele custa, quem ele afeta, o que ele impede. Um prazo quase perdido parece um susto isolado até alguém perguntar o que aconteceria se fosse perdido de fato.

  • Quando o prazo é visto em cima da hora, quem para o que estava fazendo para resolver?
  • Essas dez horas mensais de relatório saem do tempo de qual advogado?
  • Se um prazo fosse perdido, qual seria o impacto na relação com aquele cliente?

Explorar a implicação é diferente de exagerar. O vendedor ajuda o cliente a fazer uma conta que estava sem fazer, com os números do próprio cliente. Se a conta mostrar que o problema é pequeno, a venda provavelmente não deveria acontecer, e é melhor descobrir isso na segunda reunião do que na sexta.

N, de Necessidade de solução

Por último, perguntas que levam o cliente a dizer o que ganharia se o problema fosse resolvido. Quem enuncia o benefício é ele.

  • Se os prazos gerassem alerta automático para o responsável, o que mudaria na rotina da equipe?
  • O que vocês fariam com as dez horas por mês que hoje vão para o relatório?

Só depois dessas respostas o vendedor apresenta a solução, ligando cada recurso a algo que o cliente acabou de falar. "Você comentou que o relatório consome dez horas. Nesta tela ele é gerado a partir do que já está lançado." A demonstração fica mais curta, porque mostra apenas o que interessa àquele escritório.

Quando o método funciona melhor

Vantagens do SPIN Selling

O SPIN foi pensado para venda complexa: valor alto, mais de uma pessoa decidindo, várias reuniões até o contrato. Software, serviços para empresas, máquinas, consultoria, planos de saúde corporativos. Nessas situações, uma objeção ignorada na primeira conversa reaparece semanas depois na boca de alguém que o vendedor nem conheceu.

Em venda simples e rápida, como a de um produto de balcão, a sequência completa é demorada demais. Dá para aproveitar o princípio, perguntar antes de oferecer, sem cumprir as quatro etapas.

As vantagens para quem aplica direito são práticas. A proposta sai mais aderente, porque foi montada com informação do cliente. As objeções de preço diminuem, já que o custo do problema foi dito em voz alta antes do valor da solução. E o vendedor qualifica melhor: percebe cedo quando não há problema que justifique a compra e libera a agenda para outra oportunidade.

Erros comuns de quem começa

O mais frequente é transformar a reunião em interrogatório. O vendedor imprime a lista de perguntas e dispara uma atrás da outra, sem reagir ao que ouve. O SPIN é uma estrutura para a conversa. Se a resposta abriu um assunto relevante, vale segui-lo e voltar ao roteiro depois.

Outro erro é pular a implicação. O vendedor ouve o primeiro problema, se anima e já abre a apresentação. O cliente concorda que o problema existe, acha a solução interessante e não compra, porque ninguém mostrou que resolver aquilo era urgente.

O terceiro é não registrar. As respostas de uma reunião de SPIN são o material mais valioso que o comercial produz, e somem quando ficam só no caderno do vendedor. Anotadas no CRM, na ficha da oportunidade, elas servem para a proposta, para o colega que assumir a conta e para o marketing, que descobre ali com que palavras o cliente descreve o problema. Quando ajudamos uma empresa na estruturação do CRM, criamos campos para dor principal e impacto estimado justamente para que essa informação não se perca.

Como treinar a equipe

Escolha três clientes fechados no último ano e reconstrua com o time quais problemas e quais implicações pesaram na decisão de cada um. Desse exercício sai um banco de perguntas com a linguagem do seu mercado, bem mais útil que uma lista genérica. Depois, ensaie em duplas, com um colega no papel de cliente. Nas primeiras reuniões reais, peça ao vendedor que conte quantas perguntas de implicação fez. Quase sempre o número é menor do que ele imaginava, e é aí que o método começa a ser aplicado de verdade.

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