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O que é Inbound Commerce e como ele beneficia o seu negócio?

Inbound Commerce

Em resumo

Inbound Commerce é a aplicação do Inbound Marketing a uma loja virtual: atrair visitantes com conteúdo, captar o contato de quem ainda não comprou e usar automações de e-mail e WhatsApp para levar essa pessoa à primeira compra e às seguintes. O ganho para a loja é depender menos de anúncio a cada venda e vender mais vezes para o mesmo cliente.

Inbound Commerce é o Inbound Marketing adaptado ao e-commerce. A loja publica conteúdo que responde às dúvidas de quem está pesquisando um produto, capta o e-mail ou o WhatsApp do visitante que ainda não está pronto para comprar e mantém contato com ele por mensagens automáticas até a compra. Depois da compra, continua: pede avaliação, ensina a usar, oferece a reposição.

O que é Inbound Commerce?

O motivo para montar isso aparece na conta de qualquer loja que vive de anúncio. A grande maioria dos visitantes de um e-commerce sai sem comprar. Se nenhum dado deles foi guardado, trazer a mesma pessoa de volta custa outro clique pago. Com o contato registrado, a segunda visita custa um e-mail.

O que muda em relação ao inbound de uma empresa de serviços

Numa empresa que vende consultoria ou software, o inbound termina em uma conversa com vendedor. Na loja virtual não há vendedor, o ciclo é curto e o valor de cada pedido costuma ser menor. Isso muda três coisas.

A primeira é o conteúdo. E-book de quarenta páginas faz pouco sentido para quem quer escolher um tênis de corrida. Funcionam melhor o guia de tamanhos, o comparativo entre dois modelos, o vídeo curto mostrando o produto em uso, a página de categoria com texto que ajuda a escolher.

A segunda é a captação. Formulário longo não cabe no meio de uma compra. O que capta contato em loja é a oferta simples: cupom de primeira compra em troca do e-mail, aviso de volta ao estoque, lista de desejos, cadastro para saber antes de uma promoção.

A terceira é o papel da automação, que substitui o vendedor. É ela que retoma a conversa na hora em que o cliente deu um sinal.

As etapas de compra vistas de dentro de uma loja

O modelo clássico descreve quatro momentos até a compra. Em uma loja de suplementos, por exemplo, eles se parecem com isto:

MomentoO que a pessoa buscaO que a loja oferece
Descoberta"como ganhar massa muscular"Artigo no blog e vídeo explicando alimentação e treino
Reconhecimento do problema"preciso tomar suplemento para ganhar massa"Guia sobre quando a suplementação faz sentido, com captação de e-mail
Consideração"whey concentrado ou isolado"Comparativo, avaliações de clientes, página de categoria bem explicada
Decisãonome do produto e "preço" ou "frete"Página de produto completa, cupom de primeira compra, prazo de entrega claro

A maior parte das lojas só investe na última linha, em que todos os concorrentes também estão anunciando e o clique é mais caro. O conteúdo das três primeiras alcança o consumidor antes da comparação de preço.

Como começar a aplicar

Saiba quem compra e por quê

Defina o seu público-alvo

A loja já tem os dados para isso. O histórico de pedidos mostra quais produtos trazem cliente novo, quais são comprados juntos, de quanto em quanto tempo o cliente volta. As perguntas que chegam pelo atendimento e os termos digitados na busca interna do site mostram as dúvidas que o conteúdo precisa responder. Vale começar por aí antes de imaginar uma persona no papel.

Publique conteúdo ligado ao catálogo

Tenha um blog

Cada artigo do blog deve levar a uma categoria ou produto que a loja vende. Uma loja de artigos para pets que publica "como escolher a ração para filhote de porte grande" atrai exatamente quem vai precisar comprar ração nos próximos meses, e o texto termina com as opções do catálogo. Conteúdo sem ligação com o que está à venda traz visita e não traz pedido.

O texto das páginas de categoria e de produto também conta como conteúdo. Descrição copiada do fabricante é igual à de todas as outras lojas, e o Google tem pouco motivo para mostrar a sua.

Monte as automações que substituem o vendedor

Conte com uma ferramenta de automação

As plataformas de e-commerce e as ferramentas de automação se integram de modo que uma ação do cliente dispara uma mensagem. Estas são as que a gente costuma montar primeiro, nessa ordem, porque atuam mais perto da venda:

GatilhoMensagem
Colocou produto no carrinho e não fechou o pedidoLembrete com a imagem do produto e link direto para o carrinho, enviado poucas horas depois. Um segundo aviso no dia seguinte pode responder à objeção mais comum (frete, troca, parcelamento)
Cadastrou o e-mail sem comprarBoas-vindas com o cupom prometido e, nos dias seguintes, os produtos mais vendidos e um conteúdo que ajude a escolher
Recebeu o pedidoOrientação de uso e, alguns dias depois, pedido de avaliação
Passou o tempo médio de consumo do produtoLembrete de reposição. Quem comprou ração para 30 dias recebe o aviso por volta do 25º dia
Cliente sem comprar há muitos mesesNovidades da categoria que ele comprou e, se a margem permitir, um incentivo para voltar
Pediu aviso de volta ao estoqueAviso no momento em que o produto é reposto

Dois cuidados. O contato só pode receber comunicação de marketing se concordou com isso no cadastro, como pede a LGPD, e todo e-mail precisa de descadastro fácil. E cupom em toda mensagem de carrinho abandonado ensina o cliente a abandonar o carrinho de propósito; comece pelo lembrete simples e reserve o desconto para casos específicos.

Como medir se está funcionando

Os números de alcance (visitas, seguidores, aberturas) dizem pouco. Três indicadores mostram se o Inbound Commerce está cumprindo o papel dele:

  • a parcela da receita que vem de e-mail, de busca orgânica e de acesso direto, comparada à que vem de anúncio;
  • a taxa de recompra, ou seja, quantos clientes fazem o segundo pedido dentro de um período;
  • a receita gerada por cada automação, que as ferramentas mostram separadamente.

O inbound não substitui a mídia paga na loja virtual. Os anúncios continuam trazendo o visitante novo, e o conteúdo com as automações faz esse visitante render mais de um pedido. Uma loja que investe R$ 5.000 por mês em anúncios e não capta o contato de ninguém paga de novo, todo mês, para falar com as mesmas pessoas.

O resultado demora mais que o de uma campanha. As automações de carrinho e de boas-vindas dão retorno nas primeiras semanas, porque atuam sobre o tráfego que a loja já tem. O conteúdo leva meses para aparecer na busca. Quem espera dele o prazo de um anúncio desiste antes da hora, um dos equívocos que comentamos em 4 mitos do e-commerce.

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