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Marketing digital para psicólogos e o que o código de ética permite

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Em resumo

Psicólogos podem divulgar seus serviços na internet, inclusive com anúncios, desde que sigam o Código de Ética Profissional do Psicólogo. O artigo 20 exige nome completo e número do CRP e proíbe usar preço como propaganda, prometer resultado, fazer divulgação sensacionalista e se promover em detrimento de colegas. O sigilo profissional limita o uso de casos e depoimentos.

Psicólogos podem fazer marketing digital. Site, perfil em rede social, conteúdo educativo e anúncios pagos são permitidos, desde que a divulgação respeite o Código de Ética Profissional do Psicólogo, aprovado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) em 2005 e ainda em vigor. O código não cita internet nem redes sociais, mas o artigo 20 vale para qualquer meio, e o CFP publicou em 2022 uma nota técnica com orientações específicas sobre o uso profissional das redes.

O texto abaixo separa o que a norma diz do que isso significa na hora de escrever um post ou configurar uma campanha.

O que diz o Código de Ética sobre publicidade

O que diz o ‘Código de Ética Profissional do Psicólogo’

Quatro artigos interessam a quem vai divulgar o próprio trabalho. A íntegra está no Código de Ética publicado pelo CFP.

O artigo 9º trata do sigilo: é dever do psicólogo proteger, pela confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações a que tem acesso no exercício profissional. O artigo 18 impede divulgar, ensinar ou vender a leigos instrumentos e técnicas psicológicas que permitam o exercício ilegal da profissão. O artigo 19 determina que, ao participar de atividades em veículos de comunicação, o profissional zele para que as informações disseminem conhecimento sobre as atribuições, a base científica e o papel social da psicologia.

O artigo 20 é o que regula a publicidade diretamente. Ao promover seus serviços, por qualquer meio, individual ou coletivamente, o psicólogo:

  • informará o nome completo, o CRP e o número de registro;
  • fará referência apenas a títulos ou qualificações profissionais que possua;
  • divulgará somente qualificações, atividades e recursos relativos a técnicas e práticas reconhecidas ou regulamentadas pela profissão;
  • não utilizará o preço do serviço como forma de propaganda;
  • não fará previsão taxativa de resultados;
  • não fará autopromoção em detrimento de outros profissionais;
  • não proporá atividades que sejam atribuições privativas de outras categorias profissionais;
  • não fará divulgação sensacionalista das atividades profissionais.

Como isso se traduz no dia a dia

Identificação em tudo

Nome completo e número do CRP aparecem na bio do Instagram, no rodapé do site, na assinatura dos artigos e no texto ou na arte dos anúncios. É o item mais fácil de cumprir e o que mais aparece faltando.

Preço

O código proíbe usar o preço como propaganda. Chamadas como "primeira sessão grátis", "pacote promocional" ou "o menor valor da região" entram nessa vedação, porque fazem do valor o argumento de venda. Informar o valor da sessão a quem pergunta, ou explicar como funciona o atendimento por convênio e reembolso, é outra situação. A nota técnica de 2022 trata desse ponto, e vale ler o trecho antes de decidir o que colocar no site.

Promessa de resultado

"Supere a ansiedade em oito sessões" é previsão taxativa. "Como a terapia cognitivo-comportamental trabalha a ansiedade" é informação. A diferença está em descrever o processo sem garantir o desfecho, e ela precisa ser mantida também nos títulos de anúncio, onde o espaço curto empurra para a frase de impacto.

Casos, depoimentos e prints

O sigilo torna arriscado qualquer conteúdo que parta de um atendimento real. Relato de sessão, conversa de WhatsApp com o nome borrado e história "de uma paciente" com detalhes reconhecíveis expõem a pessoa atendida, mesmo quando ela autoriza. O uso de depoimentos e fotos está entre os temas da nota técnica do CFP. Para ilustrar um conteúdo, o caminho seguro é o exemplo hipotético, apresentado claramente como exemplo.

Sensacionalismo e comparação

Diagnóstico por enquete, "cinco sinais de que você tem" tal transtorno e títulos alarmistas costumam render alcance e costumam também render denúncia ao conselho regional. O mesmo vale para se apresentar como alternativa melhor que os colegas ou para oferecer algo que cabe a outra profissão, como orientação sobre medicamentos.

Canais que funcionam para consultório

Quem procura terapia costuma pesquisar no Google pelo tipo de atendimento e pela cidade ou bairro. Um site simples resolve boa parte da demanda: uma página que diga quem você é, quais abordagens e públicos atende, onde atende, se faz atendimento online e como agendar. O Perfil da Empresa no Google, preenchido com endereço e horário, coloca o consultório no mapa das buscas locais.

Nas redes sociais, o conteúdo que respeita o artigo 19 é também o que constrói autoridade: explicar como funciona a primeira sessão, a diferença entre psicólogo e psiquiatra, o que esperar de cada abordagem. Reunimos outras ideias em estratégias de marketing para a área de saúde.

Anúncios são permitidos e seguem as mesmas regras do restante da divulgação. Há ainda as políticas das plataformas. Google e Meta restringem a segmentação baseada em condição de saúde, e a Meta reprova textos que sugerem saber algo íntimo sobre quem lê, como "Você sofre de depressão?". Anúncio descritivo passa: "Psicoterapia para adultos em Pinheiros e online", com nome e CRP. Se for delegar a gestão das campanhas, nosso trabalho de tráfego pago para clínicas e consultórios parte dessas restrições.

O atendimento online tem regulamentação própria do CFP, que já foi alterada algumas vezes. Antes de anunciar essa modalidade, confirme no site do conselho a resolução vigente e as condições exigidas.

Antes de publicar, quatro verificações

  1. Nome completo e CRP estão visíveis na peça?
  2. Todo título e toda qualificação citados podem ser comprovados?
  3. O texto descreve o serviço sem garantir resultado e sem usar valor como chamariz?
  4. Alguém atendido por você poderia se reconhecer no conteúdo?

A responsabilidade ética pela divulgação é do profissional, mesmo quando uma agência ou um social media escreve as peças. Por isso o combinado com quem produz o conteúdo precisa incluir a aprovação de tudo antes de ir ao ar, e o conselho regional é o lugar certo para tirar dúvida sobre um caso que a norma não deixa claro.

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