Como construir um modelo de briefing de marketing digital
Os campos que um briefing precisa ter, um exemplo preenchido e os erros que fazem o documento virar burocracia em vez de evitar retrabalho.
Para manter o cliente satisfeito e fazê-lo voltar, quatro práticas de pós-venda dão resultado: acompanhar os primeiros dias depois da compra, registrar todo o histórico em um CRM para ninguém pedir a mesma informação duas vezes, medir a satisfação com NPS ou CSAT e responder a quem deu nota baixa, e procurar o cliente no momento em que ele tende a precisar de novo. Satisfação se mede em pesquisa. Fidelização, em recompra.
Cliente satisfeito é o que recebeu o que esperava. Cliente fiel é o que volta a comprar. Uma coisa não garante a outra: muita gente sai contente de uma loja e na compra seguinte vai à concorrente, porque era mais perto, porque apareceu primeiro na busca ou porque ninguém a lembrou de voltar. As quatro práticas a seguir cuidam das duas pontas. Elas reduzem os motivos de insatisfação e dão ao cliente uma razão para retornar.
O argumento financeiro é conhecido. Vender de novo para quem já comprou dispensa o custo de anúncio, de prospecção e de convencimento que um cliente novo exige. E a base ativa é a principal fonte de indicações.

O momento de maior risco é logo após a compra. O cliente pagou, ainda não viu o resultado e qualquer silêncio parece descaso. Um roteiro de contato nos primeiros dias resolve boa parte das reclamações antes que elas existam.
Em uma loja virtual, isso significa confirmar o pedido, avisar o envio com o código de rastreio e, dois ou três dias depois da entrega, perguntar se chegou tudo certo. Em um serviço, significa uma mensagem de boas-vindas dizendo quem é o responsável pelo atendimento, quais são os próximos passos e em que prazo. Em um software, um contato na primeira semana para saber se a pessoa conseguiu usar o que contratou.
Quando algo dá errado, avisar antes pesa mais que compensar depois. A transportadora atrasou? Mande a mensagem antes de o cliente perguntar, com a nova previsão. Quem descobre o problema sozinho fica irritado duas vezes: com o atraso e com o silêncio.
Ter de contar a mesma história a três atendentes é uma das experiências que mais desgastam um cliente. Acontece quando a informação está espalhada: o pedido no sistema da loja, a conversa no WhatsApp pessoal do vendedor, a reclamação em um e-mail que só uma pessoa leu.
O remédio é o CRM, ou um sistema de atendimento ligado a ele, com uma ficha por cliente. Ela reúne o que foi comprado e quando, todas as conversas, as solicitações abertas e quem cuidou de cada uma. Qualquer pessoa da equipe abre a ficha e continua de onde o colega parou.
Um teste rápido mostra se a empresa tem isso: escolha um cliente ao acaso e peça a alguém que não o atendeu que diga, em dois minutos, o que ele comprou, se teve algum problema e como foi resolvido. Se a resposta depender de perguntar a outra pessoa, o histórico não está registrado. Organizar esse registro e as automações que partem dele é o que fazemos nos projetos de estruturação de CRM.
A pesquisa de satisfação é a forma de saber o que o cliente pensa antes que ele vá embora sem dizer nada. Há dois formatos mais usados, e eles respondem a perguntas diferentes.
| CSAT | NPS | |
|---|---|---|
| Pergunta | "Como você avalia o atendimento que recebeu?" | "De 0 a 10, quanto você recomendaria a empresa a um amigo?" |
| Escala | 1 a 5, ou de péssimo a ótimo | 0 a 10 |
| Mede | Satisfação com um contato específico | Relação do cliente com a empresa como um todo |
| Quando enviar | Logo depois de uma entrega ou de um atendimento | A cada alguns meses, ou em marcos do relacionamento |
No NPS, quem responde 9 ou 10 é promotor, 7 ou 8 é neutro e de 0 a 6 é detrator. O resultado é a porcentagem de promotores menos a de detratores, e por isso vai de -100 a 100. Se 100 clientes responderam, com 55 promotores, 25 neutros e 20 detratores, o NPS é 35. Inclua sempre um campo aberto perguntando o motivo da nota, porque é nele que estão as informações úteis.
A pesquisa só fideliza se alguém agir sobre ela. Defina uma regra: toda nota de 0 a 6 gera um contato de uma pessoa da empresa em até dois dias úteis, para entender o que houve e propor uma solução. Um detrator bem atendido nessa hora muitas vezes continua cliente. Com os promotores, aproveite o momento para pedir uma avaliação pública ou uma indicação.
E leia as respostas abertas em conjunto uma vez por mês. Se o mesmo problema aparece em dez comentários, ele é do processo e não do atendente.

O cupom genérico enviado para a base inteira ensina o cliente a esperar desconto. Rende mais usar o histórico de compras para aparecer na hora certa, com algo que faz sentido para aquela pessoa.
Quase todo produto ou serviço tem um ciclo. A ração dura cerca de um mês, a revisão do carro vence em um ano, o filtro do purificador precisa ser trocado a cada seis meses, o contrato de manutenção renova em data marcada. Com a data da última compra registrada, uma automação dispara o lembrete alguns dias antes do fim do ciclo, com o link para repetir o pedido. Um pet shop que avisa "a ração do Thor deve estar acabando, quer que a gente entregue na quinta?" vende sem dar desconto algum.
O mesmo raciocínio serve para a oferta complementar. Quem comprou a impressora vai precisar de tinta, e quem contratou o site vai precisar de manutenção. Agrados também têm lugar, desde que reconheçam algo concreto: um ano de casa, a décima compra, uma indicação que virou cliente. Benefício exclusivo para quem já é cliente, como frete grátis ou atendimento prioritário, costuma valer mais que brinde.
Só mande essas mensagens a quem aceitou recebê-las, e sempre com a opção de sair da lista. Lembrete útil que chega a quem não pediu vira incômodo.
Além do NPS e do CSAT, três indicadores mostram o efeito das práticas acima:
Anote os três todo mês. Se a nota de satisfação está alta e a recompra não sai do lugar, o problema raramente é a qualidade do que foi entregue. Em geral falta a quarta prática: o cliente gostou, e ninguém o chamou de volta.
Os campos que um briefing precisa ter, um exemplo preenchido e os erros que fazem o documento virar burocracia em vez de evitar retrabalho.
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