Como construir um modelo de briefing de marketing digital
Os campos que um briefing precisa ter, um exemplo preenchido e os erros que fazem o documento virar burocracia em vez de evitar retrabalho.
Um contrato de marketing digital precisa definir quatro coisas: o escopo dos serviços, com o que está e o que não está incluído; valores e forma de pagamento, separando a remuneração da agência da verba de anúncios; prazos e cronograma, com as obrigações do cliente; e as condições gerais, que tratam de propriedade das contas, confidencialidade, proteção de dados e rescisão.
Quatro blocos sustentam um contrato de marketing digital: o que será feito, quanto custa e como se paga, em que prazos, e as condições gerais que regem a relação. A maior parte dos conflitos entre empresa e agência nasce de um deles mal escrito. "Gestão de redes sociais" sem dizer quantos posts, "relatório periódico" sem dizer a frequência, ou silêncio sobre quem fica com a conta de anúncios quando o contrato acaba.
O texto abaixo mostra o que conferir em cada bloco antes de assinar. Ele não substitui a leitura de um advogado, que vale o custo sempre que o valor ou o prazo do contrato forem relevantes para a empresa.
O escopo precisa ser lido por alguém de fora e gerar a mesma lista de entregas na cabeça de todo mundo. Compare duas redações:
Além da lista de entregas, três pontos costumam faltar. O primeiro é o que fica fora: desenvolvimento de site, produção de vídeo, banco de imagens e ferramentas pagas costumam ser cobrados à parte, e o contrato deve dizer isso. O segundo é o limite de revisões, por exemplo duas rodadas de ajuste por peça. O terceiro é a regra para pedidos extras, com valor de hora ou orçamento prévio aprovado por escrito.
Desconfie de resultado garantido. A agência controla o trabalho, mas não o mercado nem o atendimento comercial do cliente. O contrato sério descreve entregas e metas de referência, e não promete faturamento.
O ponto que mais gera confusão é a diferença entre a remuneração da agência e a verba de mídia. Se a empresa paga R$ 3.000 de mensalidade e investe R$ 5.000 em anúncios, o contrato deve mostrar os dois valores separados e dizer quem paga as plataformas. A prática mais transparente é a empresa pagar o Google e a Meta diretamente, com meio de pagamento próprio, e a agência receber apenas a remuneração.
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Quando a cobrança é um percentual da verba, vale ter um valor mínimo e um teto, para que nenhum dos lados seja surpreendido se o investimento mudar muito de um mês para o outro.
Há três tipos de prazo. O de vigência diz quanto tempo o contrato dura e como se renova. O de implantação cobre o primeiro mês ou os dois primeiros, em que a agência faz diagnóstico, configura contas e medição e ainda não há resultado para mostrar. Os prazos de rotina tratam de cada entrega: quando chega o calendário do mês, quando sai o relatório, em quanto tempo uma solicitação é respondida.
O cronograma depende dos dois lados, e o contrato deve registrar as obrigações do cliente. Um exemplo de redação: "o contratante aprovará ou pedirá ajustes nas peças em até três dias úteis; o atraso na aprovação ou no envio de informações prorroga os prazos da contratada pelo mesmo período". Sem essa cláusula, a campanha que atrasou porque o cliente demorou para liberar os acessos vira discussão sobre quem falhou.
Para entender o que acontece em cada fase, veja do diagnóstico ao relatório: etapas do contrato de marketing digital.
É a parte que pouca gente lê e que decide o que acontece quando a relação termina.
As contas de anúncio, o GA4, o pixel, o domínio e o site devem pertencer à empresa, com a agência como usuária. O contrato também deve dizer que as peças e os textos produzidos e pagos passam a ser do cliente. Sem isso, trocar de agência pode significar perder o histórico das campanhas.
A agência terá acesso a dados de vendas, listas de clientes e contatos captados em formulários. O contrato precisa prever sigilo e indicar as responsabilidades de cada parte perante a LGPD: a empresa decide o que é feito com os dados, a agência os trata conforme as instruções recebidas e avisa em caso de incidente.
Prazo de aviso prévio, que costuma ser de 30 dias, multa quando há fidelidade e o que cada parte entrega na saída: acessos, arquivos abertos das peças e relatórios. Uma multa proporcional ao tempo restante é mais equilibrada que um valor fixo alto.
Quem aprova o conteúdo responde por ele, e essa cláusula interessa em setores regulados, como saúde e finanças. Vale registrar que o cliente é responsável pela veracidade das informações que fornece e que a agência segue as políticas das plataformas e as normas de publicidade do setor.
Antes de assinar, faça um teste rápido: imagine que daqui a seis meses você quer encerrar o contrato. Procure no documento o que acontece com as contas, com os materiais e com os pagamentos. Se não encontrar a resposta, peça a inclusão da cláusula agora, enquanto as duas partes ainda querem fechar negócio.
Os campos que um briefing precisa ter, um exemplo preenchido e os erros que fazem o documento virar burocracia em vez de evitar retrabalho.
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