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Como usar a canonical tag para evitar conteúdo duplicado no site

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Em resumo

A canonical tag é uma linha no código da página que indica ao Google qual endereço é a versão principal quando o mesmo conteúdo aparece em mais de uma URL. Ela concentra em um só endereço os sinais que ficariam divididos entre as cópias. É uma sugestão, que o Google costuma seguir quando os demais sinais do site apontam na mesma direção.

Uma loja virtual vende um tênis. A página dele pode ser acessada por estes quatro endereços:

  • loja.com.br/tenis-corrida-azul
  • loja.com.br/tenis-corrida-azul?cor=azul&tamanho=42
  • loja.com.br/tenis-corrida-azul?utm_source=newsletter
  • loja.com.br/masculino/calcados/tenis-corrida-azul

Para o cliente, é a mesma página. Para o Google, são quatro endereços distintos com conteúdo igual, e ele precisa escolher um para mostrar na busca. A canonical tag é a forma de você fazer essa escolha: uma linha no cabeçalho do HTML de cada versão, apontando para o endereço que deve ser considerado o principal.

<link rel="canonical" href="https://loja.com.br/tenis-corrida-azul">

Com essa linha presente nas quatro versões, o Google entende que deve indexar a primeira e atribuir a ela os links e demais sinais que as outras receberem.

O que é

O que o conteúdo duplicado causa de fato

Circula a ideia de que o Google pune sites com conteúdo duplicado. O próprio Google já esclareceu que não existe punição para duplicação interna, que é um efeito colateral comum do funcionamento dos sites. Punição cabe a quem copia conteúdo alheio em massa para enganar o buscador, e esse é outro assunto.

O prejuízo real é de outra natureza. Se três sites apontam para a versão com parâmetro e dois para a versão limpa, a força desses links fica dividida. O robô gasta visitas rastreando cópias, o que pesa em sites grandes. E o Google pode escolher como principal uma versão que você não queria, exibindo na busca um endereço comprido e cheio de parâmetros. Os relatórios também ficam bagunçados, com os números de uma mesma página espalhados por várias linhas.

Onde a duplicação aparece

Quando utilizar

Quase nunca alguém cria páginas duplicadas de propósito. Elas surgem do jeito que as plataformas montam os endereços:

  • Parâmetros de campanha e de rastreamento. Os UTMs usados em e-mail marketing e anúncios criam um endereço novo para cada combinação.
  • Filtros e ordenação em lojas. Ordenar por preço ou filtrar por cor mostra os mesmos produtos em outra URL.
  • Produto em mais de uma categoria. Em algumas plataformas, o caminho da categoria entra no endereço, e o mesmo produto ganha um endereço por categoria.
  • Variações de produto. Cada cor ou tamanho com URL própria e descrição idêntica.
  • Versões do domínio. Com e sem www, http e https, com e sem barra no final. Aqui o redirecionamento 301 é a solução principal, e a canonical funciona como reforço.
  • Versão para impressão ou PDF de um artigo.
  • Conteúdo republicado em outro site. Ao contrário do que se lê em textos antigos, a canonical funciona entre domínios diferentes. Se um portal parceiro republica o seu artigo, ele pode incluir uma canonical apontando para o original no seu site.

A recomendação que seguimos nos projetos é que toda página indexável tenha uma canonical, mesmo sem duplicata conhecida. Nesse caso ela aponta para o próprio endereço, o que se chama de canonical autorreferente. Isso protege a página dos parâmetros que qualquer link externo ou ferramenta pode acrescentar ao endereço.

Canonical, redirecionamento 301 ou noindex?

As três ferramentas tratam de endereços que não deveriam competir na busca, e a escolha depende do que o visitante precisa ver.

RecursoO visitante acessa a versão secundária?Use quando
CanonicalSimAs duas versões precisam existir e funcionar, como um filtro de loja ou um link com UTM
Redirecionamento 301Não, é levado para a principalA versão antiga não tem mais razão de existir
NoindexSimA página não é cópia de outra e simplesmente não deve aparecer na busca, como carrinho e área do cliente

Erros que fazem o Google ignorar a canonical

O Google trata a canonical como uma indicação forte, e não como uma ordem. Ele cruza a tag com outros sinais: para onde apontam os links internos, qual endereço está no sitemap, se há redirecionamentos. Quando os sinais se contradizem, ele decide sozinho. A maior parte dos problemas que encontramos vem dessas contradições.

Canonical de todas as páginas apontando para a home

Acontece por configuração errada do tema ou de um plugin. O site inteiro declara que a página principal é a versão oficial de tudo. O Google percebe que os conteúdos são diferentes e descarta a marcação, mas até lá a indexação das páginas internas pode ficar instável.

Páginas diferentes tratadas como duplicatas

A canonical serve para conteúdo igual ou quase igual. Apontar a página 2 de uma categoria para a página 1 é um erro frequente: a página 2 lista outros produtos, que podem deixar de ser descobertos. Cada página da paginação deve ter canonical para si mesma.

Destino que não pode ser indexado

A tag aponta para um endereço que redireciona para outro, que retorna erro 404, que tem noindex ou que está bloqueado no robots.txt. O destino da canonical precisa ser uma página que responde normalmente e pode entrar no índice.

Sinais contraditórios dentro do site

A canonical indica o endereço A, o sitemap lista o B e o menu aponta para o C. Sitemap e links internos devem usar sempre o endereço canônico.

Problemas de implementação

Endereço relativo em vez do endereço completo com https, duas canonical tags na mesma página (comum quando o tema e um plugin de SEO inserem cada um a sua) e tag colocada fora da seção head do HTML. Nos três casos o Google pode desconsiderar a marcação.

Canonical e noindex juntos

Uma instrução diz que a página é cópia de outra, a outra diz que ela não deve ser indexada. Escolha uma das duas conforme a tabela acima.

Como conferir no seu site

Abra uma página, peça ao navegador para exibir o código-fonte e procure por canonical. Deve haver uma única ocorrência, com o endereço completo que você espera ver na busca. Faça o teste em um produto, em uma categoria com filtro aplicado e em um artigo do blog.

No Google Search Console, a inspeção de URL mostra duas informações lado a lado: a canônica declarada pelo usuário, que é a da sua tag, e a canônica selecionada pelo Google. Quando são diferentes, o buscador não aceitou a sua indicação, e vale revisar a lista de erros. O relatório de indexação de páginas agrupa esses casos nas linhas que mencionam página duplicada ou página alternativa com tag canônica adequada. Esta última linha é uma boa notícia: significa que a marcação foi lida e respeitada.

WordPress com plugin de SEO e as principais plataformas de loja virtual já inserem a canonical automaticamente, com um campo para alterá-la página a página. O trabalho, na maioria dos sites, é conferir se o automático está certo. Faça essa conferência depois de qualquer troca de tema, de plugin de SEO ou de plataforma, que são os momentos em que a configuração se perde sem aviso.

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